Diário de bordo 7° dia Expedição Zigurats Dakila Pesquisas – Egito 2015

mapa do vale dos reis -arquivo de pesquisa Urandir 2015No 7° dia da Expedição Zigurats Dakila Pesquisas – Egito 2015 Urandir Fernandes de Oliveira e a equipe começaram o dia pesquisando no Vale dos Reis, sob um calor de mais de 40 graus.  O sítio conhecido como Vale dos Reis  é um vale situado a 643 quilômetros a sul do Cairo, na margem ocidental do rio Nilo, junto à cidade de Luxor (antiga Tebas). Seu nome vem do fato do local abrigar em meio à rocha escavada a maioria dos túmulos de faraós do Médio e Novo Império do Egito antigo, assim também como os túmulos de alguns nobres que trabalhavam para corte. As mulheres dos faraós estão enterradas em outro local, o Vale das Rainhas, a alguns quilômetros mais ao sul, com exceção da rainha Hatshepsut, esposa de Tutmósis II, a mulher que por mais tempo reinou sob o Egito, e que assim assegurou o direito a um túmulo separado das esposas reais.

O Vale dos Reis constitui na realidade um grupo de gargantas sinuosas e profundas escavadas por um antigo curso de água. O seu formato de pirâmide foi talvez o fator primordial na decisão dos faraós em adotar o local como morada definitiva. Antes do período do Novo Império, os reis egípcios construíam enormes pirâmides, que deveriam estar concluídas ao tempo da morte do soberano. O faraó Amenhotep I (1551 a.C. -1524 a.C.), porém, preferiu construir o seu templo junto ao rio, mudando a tradição, e assim, a partir dele, os seus sucessores passaram a transferir os seus túmulos ao Vale dos Reis, em locais mais reservados, escavados nos rochedos.

Ao todo, o conjunto reúne 63 sepulturas encontradas pelos arqueólogos (até o momento), denominadas de KV1 a KV63 de acordo com a ordem cronológica da descoberta. O primeiro destes locais a ser descoberto foi o de Séti I, pelo explorador Giovanni Battista Belzoni, em 1817. Os sepulcros eram dotados de uma câmara funerária que abrigava o sarcófago, além de outras células com tudo o que se supunha que o faraó iria precisar para desfrutar a vida além-túmulo. Pinturas murais apresentando hieróglifos, cenas simbólicas e da vida quotidiana compunham a decoração em todas as paredes do túmulo.

Apesar da área ser alvo de importantes descobertas desde o início do século XIX, foi somente em 1922 que o Vale dos Reis virou notícia no mundo todo, com a fabulosa descoberta do arqueólogo britânico Howard Carter, o túmulo intacto de um faraó bastante obscuro em meio à historiografia egípcia, Tutancâmon (1341 a.C. – 1323 a.C.). Os faraós eram enterrados em meio a tesouros fabulosos de todo o tipo, mas, como foram perdendo relevância para a população em geral, seus túmulos foram alvo de saqueadores durante séculos a fio. Somente um faraó pouco conhecido, que reinara durante pouco tempo, poderia ter passado incólume aos ladrões de sepulturas. Assim, o túmulo de Tutancâmon dá uma ótima ideia de como eram os outros locais antes de serem pilhados. Hoje, o Vale dos Reis é um dos mais famosos locais de exploração arqueológica, e o rei “Tut” é talvez o mais conhecido de todos os faraós egípcios.

Os tipos de solo onde o Vale dos Reis está localizado alternam entre calcário denso e outras rochas sedimentares (que formam os penhascos do vale e de Deir el-Bahari) e camadas macias de marga. As rochas sedimentares foram originalmente depositadas entre 56–35 milhões de anos atrás quando o precursor do Mar Mediterrâneo cobria a área do vale. Durante o Pleistoceno o vale foi escavado do platô por chuvas constantes. Atualmente chove pouco nessa parte do Egito, porém há ocasionais inundações que atingem o vale e levam toneladas de detritos para dentro das tumbas.

Os construtores se aproveitaram dos recursos geológicos disponíveis ao construirem as tumbas. Algumas tumbas foram escavadas em fendas de calcário já existentes, outras atrás de encostas de cascalho ou nas bordas de esporas criadas por antigos canais de inundação.

Problemas nas construções das tumbas podem ser vistos naquelas pertencentes a Ramsés III e seu pai Setnakht. Setnakht começou escavando KV11, mas acabou batendo na de Amenmessés, então a construção foi abandonada e ele acabou usurpando a tumba de Tausert, KV14. Ao procurar uma tumba, Ramsés III expandiu a tumba parcialmente escavada por seu pai. A tumba de Ramsés II voltou a usar um estilo antigo, com um eixo curvo, provavelmente devido a qualidade da rocha escavada.

Depois de pesquisar esse magnífico sítio, o grupo rumou em direção ao templo Deir el-Bahari

El Der El Bahari ou Templo de Hatchepsut - pesquisador urandir 2015Deir el-Bahari ou Deir el-Bahri “Mosteiro do Norte” é um complexo de sepulturas e templos mortuários dos antigos egípcios situados na margem ocidental do rio Nilo, no lado oposto à cidade de Luxor, no Egito.

O templo de El Der El Bahari ou Templo de Hatchepsut é um do mais belos templos do Egito. Foi construído para ser um templo funerário ou comemorativo para a rainha Hatchepsut que foi uma das maiores rainhas da História Egípcia. Hatchepsut reinou por quase 21 anos (1490-1470 d.C). O templo está situado na margem oeste de Luxor. O grande Arquiteto Sinmut que desenhou este templo parece que foi inspirado pelas ruínas do templo vizinho que pertence ao rei Neb-Hpet-Rá quem era um dos grandes monarcas da XI dinastia, pois o templo consta de três terraços, em forma de três andares, cada um em cima do outro consecutivamente unidos entre si por uma rampa no centro, e inclui as capelas de Amon, Anúbis, Rá-Hor-Akhti, e Hathor.

As obras da construção iniciaram-se no oitavo ano do reinado de Hatchepsut e continuaram por quase 8 anos. Os construtores usaram pedras calcárias de boa qualidade em todas as partes da construção. Este templo reflete de uma maneira ou outra o conflito árduo entre a rainha e o seu sobrinho Tutmés III sobre o trono, pois a rainha conseguiu depor o seu sobrinho e co-regente Thotmuse (Tutmés) do trono e ficou no poder como uma rainha absoluta por cerca de 21 anos. Mas, de repente, sem saber como, a rainha desapareceu e o sobrinho subiu ao trono sob o nome de Tohotmus III ( Men-khepr-Re). Esse rei e obviamente o seus seguidores fizeram uma campanha destrutiva de vingança contra os monumentos da rainha falecida, omitindo e apagando os seus nomes dentro dos cartuchos e deformaram as imagens nos templos, pois segundo as crenças egípcias antigas, a imagem, e sobretudo o nome da pessoa eram muito importantes para garantir uma vida após a morte, pois a ka (a alma) apenas reconhece a pessoa pela imagem e o nome, e omitir o nome do morto significa que a alma não consegue reconhecer o cadáver.

O templo foi nomeado de “ Santo Santurum de Amon”. O nome de El Deir El Bahari é árabe e significa “o Convento Setentrional”, pois no século VII d.C os Cristãos Coptas usaram este templo como um convento.templo de hatshepsut - pesquisa urandir 2015

Dentre diversas cenas nas paredes sobressaem-se três de grande destaque que comemoram três importantes eventos no reinado de Hatchepsut; o primeiro é o Transporte dos dois grandes Obeliscos que foram erguidos no templo de Amon-Rá em Karnak, o segundo narra da Expedição Comercial enviada pela rainha às terras de Punt (atual Somália), e o terceiro revela o nascimento divino da rainha. As cenas do primeiro terraço do templo estão destruídas.

Também existem outras cenas que ilustram a rainha Hatchepsut fazendo oferendas a Amon. Há uma cena que representa a construção de barcas de madeira. O segundo terraço é acessível por uma rampa ascendente no centro, e no lado direito tanto como no lado esquerdo existem duas colunatas decoradas da tradicional cornija egípcia. O teto de cada colunata é suportado por 22 pilares, na parede septentrional (ao lado direito) está decorada das cenas do nascimento divino da rainha Hatchepsut que foi, de fato, uma história criada pela rainha ou pelos sacerdotes. infelizmente as cenas do Nascimento Divino estão arruinadas. Ao norte (no lado direito) da colunata do nascimento divino encontra-se a Capela de Anúbis que consta de uma sala hipóstila de 16 colunas cujo teto azul está decorado de estrelas amarelas. A maioria das cenas ali mostra Hatchepsut, e as vezes Tutmés III fazendo oferendas as diversas divindades. Uma das mais características cenas que vale a pena ver encontra-se na parede ocidental e mostra a rainha concedendo uma grande mesa de oferendas a Amon enquanto  abutre que simboliza a deusa Nekhbet está voando por cima da cabeça da rainha como um sinal de proteção. Outra cena que merece ser vista nessa parte do templo está entalhada à direita e representa a rainha fazendo oferendas ao deus Anúbis enquanto o deus-falcão Hórus está representado em cima da cabeça da rainha como um sinal de proteção. A sala hipóstila conduz a um vestíbulo que termina com o Santuário cujas paredes estão decoradas com diversas cenas religiosas. Esse monumento é considerado “monumentos incomparáveis do Egito Antigo”.

Perto do Templo de Hatchepsut fica o Vale das Rainhas, que é uma necrópole do Antigo Egipto localizada na margem ocidental do rio Nilo, em frente da cidade de Luxor (antiga Tebas), no Alto Egipto. Neste local foram sepultadas rainhas, príncipes e princesas do tempo da Império Novo, sobretudo das XIX e XX dinastias.

Os antigos Egípcios atribuíram diversos nomes ao local, entre os quais Taset-Neferu (“O Lugar da Beleza”), Tainet-aat (“O Grande Vale”) e Taset-resit (“O Vale do Sul”, porque situado a sul do Vale dos Reis). Em árabe, língua do Egipto contemporâneo, o Vale das Rainhas é denominado Biban el-Harim ou Biban el-Sultanat.

vale das rainhas vista aerea - pesquisa urandir 2015No Vale das Rainhas existem cerca de oitenta túmulos, que são identificados pela sigla QV (que significa Queen´s Valley) seguida de um número.

O túmulo mais famoso da necrópole é QV66, da rainha Nefertari, uma das esposas principais do faraó Ramsés II. Este túmulo, conhecido pelas suas pinturas nas quais a rainha surge adorando o corpo mumificado de Osíris, oferecendo leite à deusa Hathor ou a jogar Senet, foi alvo de restauração durante vinte anos por uma equipe italiana ajudada pela Fundação Paul Getty, tendo sido reaberto ao público, embora em circunstâncias restritivas (apenas se permite um certo número de visitantes por alguns minutos).

Os túmulos do Vale das Rainhas tem sido estudados desde o século XIX. Grande parte deles foram escavados por Ernesto Schiaparelli no período compreendido entre 1903 e 1905. De uma forma geral, apresentam uma pequenas antecâmara que comunica com a câmara funerária através de um corredor estreito. Em alguns casos, verifica-se a existência de compartimentos laterais de dimensão reduzida que serviam para abrigar mobiliário funerário.

O último ponto a ser pesquisado foi o Colosso de Mêmnon que é a designação atribuída a duas estátuas gigantescasColosso de Menon - Pesquisador Urandir 2015 do faraó Amenófis III (ou Amenófis III) da XVIII Dinastia, situadas na necrópole da antiga cidade de Tebas, a oeste da cidade de Luxor, no Egipto.

Estas duas estátuas eram entendidas como guardiãs do templo funerário do faráo. O templo tinha cerca de 385 000 metros, sendo um dos maiores da Antiguidade, mas foi completamente destruído devido às inundações do Nilo e à extração de materiais.

As estátuas representam Amenófis sentado no trono com as mãos pousadas sobre os joelhos. Em cada lado das suas pernas está a sua mãe, Mutemuia, e a sua esposa principal, a rainha Tié. Nos dois lados do trono figuram a representação do sema-taui, símbolo que aludia à união entre o Alto e o Baixo Egipto, sendo possível ver o deus Hapi a realizar a união das duas plantas heráldicas, o papiro e o lírio.

As estátuas foram feitas em quartzito, possuindo cerca de dezoito metros, com um peso de 1300 toneladas. Os dois blocos de pedra a partir dos quais foram esculpidas as estátuas foram retirados da pedreira de Gebel el-Ahmar (nome que significa “a montanha vermelha”), situada no nordeste da actual cidade do Cairo. O responsável pelo transporte dos blocos foi o vizir e arquitecto Amenófis, filho de Hapu.

Um sismo ocorrido em 27 a.C., referido por Estrabão, abriu uma fenda no colosso norte. A partir de então todas as manhãs ocorria no local um fenómeno estranho segundo o qual a estátua “cantaria”. O que realmente sucedia era que a acumulação de humidade durante a noite evaporava com o surgimento dos primeiros raios do sol, emitindo um som, que para Pausânias se assemelhava ao de uma cítara. No começo da era cristã os gregos visitaram o local e associaram a estátua norte ao herói Mêmnon, filho de Eos. De acordo com a lenda homérica, este herói, morto na guerra de Tróia, recebeu a imortalidade de Zeus, dedicando-se a chamar pela sua mãe todas as manhãs. Em 199 d.C o imperador romano Septímio Severo mandou restaurar a estátua, que a partir de então parou de cantar.

Depois de vários dias de pesquisas intensas, sob um sol escaldante e calor acima dos 45 graus, a equipe partirá de volta ao Cairo e, depois ao Brasil, levando muito conhecimento e história.

Artigo criado e publicado em 2015-05-25 15:15:46.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>